sábado, 22 de janeiro de 2011

O projeto está muito muito da hora! Eu estou gostando bastante.
É muito gostoso trabalhar com crianças/adolescentes.

No último domingo ficamos preparando como ia ser o primeiro training. Decidimos que íamos todos juntos (os 6) na primeira aula de cada escola pra que os alunos pudessem conhecer todos nós. E criamos um caderno com algumas perguntas sobre cada tópico pra que eles façam em casa e durante as aulas - e também pra eles mostrarem para os pais deles e fazer propaganda do projeto! rs.
O projeto tem três temas principais: "oportunidades para crianças", "democracia participativa" e "sistema político na Romênia". Nós não vamos propriamente ensiná-los essas coisas (até porque não estudamos isso na universidade), mas vamos realizar algumas dinâmicas para que eles possam debater esses temas e interagirem entre si, além de fazer comparação com a nossa cultura e como a democracia/política acontece nos nossos países.
Essa semana fomos em cinco escolas e foi demais!
Os alunos são muito inteligentes e têm um inglês muito bom - tem uns que dão umas respostas mó completas pra algumas perguntas que fazemos. Acho que quando as discussões começarem de verdade vai ficar ainda melhor!





E as escolas foram super receptivas com a gente. Em quase todas a diretora foi lá na classe conversar. Em uma delas tem uma professora que dá aula de espanhol e francês, e ela é muito simpática. Eu a Fla ficamos conversando um monte em espanhol com ela. E ela ficava mó feliz em falar com a gente, rs. "Y vosotros, por que no sentais?", haha.
Duas escolas deram comida pra gente! (que chato...)
Uma delas deu Plăcintă e (que é uma massa folhada com queijo dentro - muuuuuito bom!), e uma outra, chocolate!



O mais bacana é o carinho que os alunos começam a demonstrar. Vários vieram tirar foto com a gente no final, e uns 15 já me adicionaram no facebook!
Eles ficam mó felizes pelo simples falo de falar "bye-bye" pra gente, é muito bacana.
Já tô vendo que vou ficar com saudades do projeto quando eu voltar pro Brasil.




Craiova está cada dia mais legal! Eu tô curtindo muito estar aqui. A cidade é pequena, mas tem muitos bares, pubs e baladas. Nesses últimos dias conhecemos vários lugares novos.
E o mais legal é conhecer gente nova - na verdade acho que essa é a parte mais legal em um intercâmbio. Fazer amizade com o pessoal da AIESEC daqui tá sendo muito bacana.

O Jack, o Chi e a Kamila fizeram uma tatuagem! A do Jack é a segunda, mas a do Chi e a da Kamila foi a primeira deles. Eles são namorados, então fizeram em par: a da Kamila é uma borboleta do lado esquerdo das costas, e a do Chi são uns rabiscos (mas ficou legal! - ele desenhou pra ser uma borboleta estilizada) do lado esquerdo das costas, como se as duas tivessem se olhando, rs. A Rach tá querendo fazer duas mordidas de vampiro e a Flavucha vai fazer uma frase que fazia tempo que queria tatuar. Ou seja, só eu não vou fazer outra! rs. Até queria fazer, mas não tenho nada em especial, e não vou fazer só por fazer né... e outra, minha mãe me mata se aparecer com mais uma!! haha.
Tatuagem do Jack:




Também fomos visitar vários lugares aqui na cidade. Tem várias igrejas ortodoxas aqui.
O mais engraçado foi quando entramos num lugar que parecia um museu antigo (depois descobrimos que era uma igreja). O portão estava entreaberto, aí entramos. Tiramos umas fotos e demos uma volta por fora porque a igreja estava trancada. Quando já íamos embora um padre/pastor (não sei o termo correto!) vestido com uma túnica preta e com mó barba longa apareceu e perguntou com mó voz brava algo em romeno. Aí falamos que não falávamos romeno e ele começou a arranhar um inglês
"O que vocês estão fazendo aqui?"
(eu) "Vimos que estava escrito monumento histórico na frente e entramos pra dar uma olhada"
Aí ele, ainda com voz brava, "Ok, vou abrir a igreja pra vocês", hahaha.
Foi engraçado, porque ele perguntou nossa religião, aí falou pro Jack (que disse não ter religião específica) que ele não estava preparado para o novo mundo. E quando falamos do projeto ele ficou criticando algumas coisas de democracia. Também falou que o Brasil era violento e tal. Eu até ia começar uma conversa mais profunda, mas aí desencanei.




Gravei vários vídeos com o pessoal aqui falando coisas em português. Estão muito engraçados! Vou postar no youtube e depois mando o link.
Como disse em outros posts, é um pouco difícil conviver com uma cultura diferente e aceitá-la como a realidade de outra pessoa sem ficar julgando. O Chi, por exemplo, acredita que a "não-democracia" chinesa é para um bem maior, ou que podemos ver o futuro pela palma da mão. A princípio a nossa tendência é questionar e subvalorizar essas coisas, mas é a realidade deles e não tem nada de errado com isso. O contrário também deve ocorrer o tempo todo.
Outro exemplo. O Chi come fazendo barulhos e com a boca praticamente colada no prato. Aí um dia estávamos conversando e disse que no Brasil não é muito educado fazer isso, e ele me falou que na China se você come rápido e faz isso é porque está mostrando pra quem cozinhou que você gostou muito da comida, é uma espécie de elogio.
Diferente não?
Essa troca de experiências e realidades tem enriquecido muito esse intercâmbio. E às vezes o choque é maior dentro de casa do que com relação aos romenos em si.
Mas o melhor de tudo é que apesar de todos os pesares estamos nos dando super bem e cada vez mais unidos!



Do tão legal que está aqui, eu tinha pensado em ficar aqui mais tempo. O pessoal da AIESEC me chamou pra ser VPOGX deles (Diretor de intercâmbio para estudantes) confesso que fiquei bastante tentado a ficar. Mas uma hora a gente precisa terminar a faculdade né? rs. E por mais que esteja gostando muito, acho que vou aprender mais coisas voltando agora e começando a prestar os processos seletivos das empresas, decidindo o que eu quero fazer da vida etc. etc. Seria uma experiência muito legal, e foi super difícil falar não pra eles, mas já tomei a decisão e o negócio é não ficar olhando pra trás.
Estou aproveitando cada dia aqui e sei que essa experiência vai valer muito a pena!



Abraços

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Antes de vir pra cá achei que o segundo intercâmbio não traria tantas coisas novas como no primeiro, ou que os desafios seriam menores. A experiência é realmente diferente, mas não sinto que estou aprendendo menos ou que é mais fácil. O fato de eu já ter passado por um intercâmbio faz com que eu veja as coisas aqui de uma maneira um pouco diferente, e que com certeza não as veria se esse fosse o meu primeiro intercâmbio. Acredito que uma coisa complementa a outra e isso é muito bom! Estou aprendendo muito aqui e em aspectos bastante diferentes dos de El Salvador.
No meio de toda essa enrolação o que eu realmente queria dizer é que estou gostando! rs.



Morar com pessoas de países diferentes tem sido um desafio muito legal! Como disse em outros posts, eles são a minha família aqui. Estamos todos passando por momentos parecidos e isso faz com que nos apoiemos - ainda que isso não seja explícito.
E o mais bacana é conhecer um pouco mais sobre a cultura deles. Na verdade estou muito mais em contato com as culturas da Austrália, China e Nova Zelândia que da Romênia em si.
A Rachel, australiana, é a mais empolgada da casa. Ela não para quieta! O mais normal é ela sair de casa pra dar uma volta e conhecer um caminho diferente. Não importa o que seja, se você chamar ela pra sair, ela vai sair! A gente fica zoando, porque ela não para de falar "Guys, I'm so excited", com uma voz fininha, rs. E ela fica "excited" com tudo!! Ir na academia, comer chocolate, sair, comer uma coisa diferente etc.. nunca tem tempo ruim pra ela.



O Jack, neozolandes, é meu amigo mais próximo aqui. Tudo bem que a gente só fala besteira, mas não tem como falar sério com ele! rs. Ele é o cara mais desencanado que eu conheço. Ele não liga de dormir na sala, não lava os talheres/pratos direito antes de usar, sai na rua com calça de moleton de dormir (aquelas que tem abertura na frente, haha - que "carinhosamente" chamamos de "gipsy pants") etc. A gente ri muito, porque pelo fato de ele ser assim, coisas engraçadas acontecem o tempo todo, e eu nunca deixo de fazer piada!
Eu ainda acho o inglês dele um pouco difícil de entender, mas melhorou muuuuuito desde quando cheguei. É que a pronúncia dele é bem diferente. Os "e" ele fala como "i", e os "i" como "e", haha. Por exemplo, "get" vira "git", "bread" vira "brid", "ten" vira "tin", "seven" vira "siven" e o mais engraçado é que "six" vira "sex", hahaha.
E ele bebe muito! Ele mesmo diz que os zeozelandeses não param de beber até cair, é cultura - e ele representa bem! rs.



A Kamila e o Chi, chineses, são muito engraçados. Muito mesmo! A gente não para de zuar eles, porque tudo o que eles fazem é motivo de piada. Os dois são muito inocentes, com relação a tudo. Eles namoram, mas nunca se beijaram na nossa frente. É cultural mesmo. Ela fala super devagar e é toda carinhosa com todo mundo. O Chi é mais ansioso, toda vez que ele vai falar parece que o mundo está acabando e ele não sabe o que fazer! rs. E ele pergunta TUDO o tempo TODO. Confesso que às vezes perco a paciência, mas ele é tão gente boa que não tem como ficar bravo com ele.
Um dos dias mais engraçados foi no aniversário do Chi, quando eu e o Jack levamos ele em um bar de striptease, auhaeuea. Eu ri MUITO! Ele tava super nervoso (mais que o normal), isso porque ficamos meia hora. Só levamos ele pra ver o que ele ia falar (foi surpresa, haha). E pra Kamila, no dia seguinte, dissemos que fomos no carrinho de trombada da praça, uaehaeuhaeu.
As comidas que eles fazem não têm muito gosto, mas algumas coisas até que são boas. A melhor coisa é tipo um omelete com tomate, e a pior é uma sopa de arroz pior que papinha de nenem.



A Flavucha é a brasileira. Com ela não tem problemas de cultura né - e mesmo que tivesse não posso falar aqui no blog porque ela lê! (haha, zuera Fla).
A gente tá se dando mó bem, e o melhor de tudo é poder fazer comentários em português que ninguém entende! Várias vezes ela solta um "Ahan Cláudia" ou um palavrão que só eu entendo. Esses dias ensinei o Jack a falar "Vai se foder", aí ele disse pra ela e na hora ela virou um "Vai tomá no meio do seu cu" tão tão forte e direto que eu fiquei uns dois minutos sem conseguir parar de rir.
Ela é a melhor cozinheira da casa! Ela já fez bolo, arroz carreteiro, escondidinho, batata recheada e outras coisas. Eu, como sempre, como muito!
Ela é sempre a última a ficar pronta!! rs. Ela começa a se arrumar primeiro e é a última a sair. Fica todo mundo na porta esperando ela terminar de se maquiar. E ela reconhece, então tá sussa, rs.
O foda é que dividimos o quarto e ela tem o sono pesado, ou seja, nunca escuta o despertador!! Então eu tenho que ir até o celular dela e desligar. E já aprendi que não importa quantas vezes ele toca, ela não vai acordar! rs. Na noite passada ela evoluiu, conseguiu desligar o despertador, mas claro que não levantou né, haha.



É muito legal conviver com todos eles, e sem dúvida alguma esse também é um ponto de aprendizado. As coisas boas e ruins têm contribuído pra que eu cresça. É muito fácil falar que respeita as culturas diferentes, o difícil é realmente viver em uma cultura diferente, sair da zona de conforto e aprender a respeitar as diferenças no dia-a-dia.
(Estou ouvindo Cidadão Quem e nesse exato momento tocou essa parte de uma música deles: "E então, aprender a andar livre sem esperar. E aceitar cada um de um jeito")

Esse post foi mais dedicado a eles porque ainda não tinha escrito especificamente sobre eles e achei que era importante. Não só falar por falar, mas também pra que eu pudesse pensar ainda mais nas características de cada um pra escrever, e isso é bacana.
Assim como a gente não escolhe a família, não escolhi vir morar com eles. E assim como família, tenho um carinho muito grande por eles e sei que me farão muita falta quando eu voltar pro Brasil.



Abraços!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Eu tô curtindo muito a Romênia, e não é só pelo fato de cada vez mais eu gostar do pessoal aqui. Esse intercâmbio tem sido totalmente diferente do intercâmbio em El Salvador, principalmente com relação às pessoas. Aqui geralmente todo mundo é um pouco mais frio, e o fato de eu não ser o único intercambista também contribui pra eu sentir isso. Além disso, antes de vir pra cá, eu tinha uma imagem bem distinta do que eu encontrei aqui. Não que tenha sido pior ou melhor, simplesmente diferente. E acho que por isso que estou gostando tanto. Nada do que tenho feito aqui foi pensado ou suposto, tudo é novo - e essa é a melhor parte!

O nosso Natal foi muito gostoso. Fizemos uma ceia aqui em casa com muita comida típica de cada país. Ainda bem que a Flavucha tá aqui pra representar o Brasil no lado gastronômico! rs. Depois de caminhar na cidade dizendo feliz natal em romeno pra todo mundo até a polícia mandar a gente calar a boca, fomos pra um pub. Ficamos um tempo lá, mas voltei mais cedo porque o Jack (pra variar) estava passando mal, haha.



No dia 25 pela manhã eu acordei mais cedo que todo mundo, então senti um pouco de saudade de casa, mas passou logo! rs. Fomos andar pela cidade e ver se tinha algo diferente do normal.
No domingo o pessoal da AIESEC veio em casa pra trazer comidas típicas da Romênia. Foi legal, porque deu pra conhecer mais gente e o nosso apartamento ficou cheio pela primeira vez. A parte ruim é que a comida não é muito boa. Na verdade, é muuuito ruim! haha. Tinha uma ou outra coisa que dava pra comer, mas no geral era carne de porco que tinha gosto de carne crua. Ninguém gostou, mas acho que o pessoal da AIESEC já está acostumado com isso. O pior pra mim foi uma espécie de gelatina com carne de porco, não dava pra engolir (literalmente!).
Mas foi muito legal! Depois fomos pra um bar onde encontramos um pessoal bem estranho que falava espanhol e queria seguir a gente pra tudo quanto é canto. E eu, que já não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo, estava totalmente perdido falando em espanhol com eles, inglês com o pessoal, português às vezes com a Flávia, e "romeno" com a garçonete, rs.




E foi nessa noite que vi nevar pela primeira vez! É muito legal! Mas é um saco andar quando tá nevando, porque fica caindo no olho, rs.



No ano novo fomos para a montanha. A cidade chama Caciulata e é bem pequena, mas ficamos a maior parte do tempo no hotel. Foram umas 50 pessoas da AIESEC, então foi muito legal! Conversei com gente que eu nunca tinha visto, e outras que eu não fazia idéia que eram tão gente boa!
Eles comem pão com queijo/presunto/salameo tempo todo! E esse é o café da manhã, almoço e janta. Na janta eles fizeram um churrasco, mas basicamente com carne de porco.
As festas foram muito boas! Aprendi umas danças típicas romenas e também conheci umas músicas de uma banda romena que canta em português! É muito engraçado!! Eles cantam coisas do tipo "vem mamacita faz favor, eu quero estar junto a ti meu amor" e "beija bonito bum bum", haha. E não é só a letra, mas o sotaque!

Na virada do ano teve vários fogos de artifício e tal, foi bem legal.
Além disso, o hotel tinha uma piscina aquecida muuuito boa. Ficamos mó tempão lá pra curtir o calor.





Quando chegamos em casa o La Bousch, nosso cachorro, estava muito mal. Ele já estava estranho antes, não pulava mais, não latia direito nem nada. Levamos no veterinário e ele demos remédio, mas não adiantou muito.
Bom, ele estava chorando o tempo todo e não conseguia ficar em pé. Na verdade eu já sentia que uma hora ou outra ele ia acabar morrendo, porque ele estava piorando a cada dia..
Aí hoje cedo levamos ele de novo no veterinário e ele disse que ele estava contaminado por dois vírus letais e que não tinha mais jeito... Aí o veterinário deu uma injeção nele pra ele morrer mais cedo e não ficar sofrendo. Cinco minutos depois ele parou de chorar e respirar.. Foi muito triste. Eu não consegui olhar pra ele. E agora que tô aqui sozinho na sala escrevendo parece que falta alguém pra me encher o saco mordendo meu chinelo.


Bom, mudando de assunto.
Durante todo esse tempo em que pude ter um convívio maior com os romenos, existem várias coisas da cultura local sobre as quais quero escrever, mas em um próximo post porque esse está muito comprido.
Como em todo lugar, existem coisas ruins e coisas boas, e cabe a cada um focar no que quer priorizar. Não que seja algo fácil, mas a melhor coisa é não olhar pras coisas ruins e fortalecer o lado positivo. E o melhor de tudo é que quanto mais frequente você faz isso, mais fácil fica identificar os pontos bons! E isso é um aspecto positivo não somente para o intercâmbio, mas também pra vida. Se a gente parar de ver o problema e começar a ver soluções e o que de bom também existe, talvez possamos ser mais produtivos e inclusive mais felizes.
Sei que estou filosofando, rs., mas é uma das coisas que tenho visto claramente aqui e que certamente vão influenciar na minha vida quando voltar pro Brasil.



Feliz ano novo pra todo mundo!